Carregador esquenta: é normal ou perigoso?

Você coloca o celular na tomada e, meia hora depois, vai checar as mensagens. Ao encostar na “caixinha” (o adaptador de parede), você leva um susto: ela está muito quente.

O instinto imediato é tirar da tomada com medo de um incêndio. Mas será que todo aquecimento é sinal de perigo? Ou é apenas a física fazendo o seu trabalho?

Para distinguir o normal do arriscado, precisamos entender como essa pequena caixa transforma a energia bruta da sua casa em algo que seu celular consiga digerir.


1. Por que esquenta? (A Ineficiência Natural)

O trabalho do carregador é pesado. Ele precisa pegar a energia da tomada (110V ou 220V Alternada) e convertê-la para uma voltagem minúscula (5V ou 9V Contínua) que o celular aceite.

Nesse processo de transformação, nenhuma máquina é 100% eficiente. Uma parte da energia elétrica não vira carga, ela se “perde” no processo. Segundo as leis da termodinâmica, essa energia perdida vira calor. Portanto, é absolutamente normal que o carregador fique morno ou quente ao toque, especialmente nos primeiros 30 minutos, quando a bateria do celular está vazia e “puxando” o máximo de potência.

2. O Limite do Perigo (O Teste dos 10 Segundos)

Como saber se passou do ponto? Engenheiros elétricos e órgãos de certificação (como o Inmetro no Brasil ou a UL nos EUA) estabelecem limites de temperatura para o plástico externo.

Existe um teste prático que você pode fazer: Segure a caixinha com a mão fechada.

  • Se estiver “quentinha” (tipo uma xícara de café morno): Normal.
  • Se estiver tão quente que você não consegue segurar por 10 segundos sem sentir dor: PERIGO.

Se o calor for insuportável ao toque, tire da tomada imediatamente. Isso indica falha nos componentes internos (capacitores vazando ou transformador em curto).

3. O Perigo do “Sanduíche” (Onde você carrega?)

Muitas vezes, a culpa não é do carregador, mas de onde ele está. Carregadores precisam “respirar”. Se você pluga o carregador atrás da cama, espremido entre o colchão e a parede, ou debaixo de uma almofada no sofá, o calor não tem para onde ir. Isso cria um efeito estufa que pode derreter o plástico e iniciar um incêndio. Regra de ouro: Carregadores devem ficar sempre em locais ventilados, longe de tecidos e cobertas.

4. O Cheiro e o Som (Sinais de Alerta)

Além do calor, use seus outros sentidos.

  • Cheiro: Sentiu cheiro de “plástico queimado” ou “ozônio” (cheiro de fio elétrico)? Descarte o carregador na hora.
  • Som: Um zumbido muito alto (tipo um mosquito elétrico) vindo da caixinha pode indicar que a bobina interna está solta ou vibrando perigosamente. Um zumbido muito baixo é normal, mas se for audível de longe, é sinal de má qualidade.

Dica de Segurança (Certificação é Vida)

A UL Solutions, líder global em ciência da segurança, alerta: carregadores falsificados não possuem os chips de controle térmico que “desligam” o carregador se ele superaquecer. Um carregador original esquenta, mas se chegar no limite, ele corta a energia sozinho para não pegar fogo. O carregador de camelô continua esquentando até derreter. Na dúvida, o calor excessivo no carregador genérico é sempre um sinal para jogá-lo fora.

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